Entre indicadores de aumento da riqueza, especificamente para certos setores da sociedade, e cenas cotidianas de miséria moral e econômica, diz-se que o Brasil vive um período de crescimento. Mudanças na direção política do país trouxeram esperanças até mesmo entre os mais céticos. Debates e discursos entusiasmados sobre as crises social e econômica; a solução ou não dos problemas estruturais do país; a questão ambiental; o aumento ou recuo das taxas de desemprego; o êxodo dos trabalhadores do campo e do país e as respectivas implicações diplomáticas; a qualificação dos trabalhadores vis-à-vis as demandas do mundo do trabalho são objetos de preleções as vezes infindáveis, que terminam sempre apontando para o desenvolvimento do conhecimento e de seus efeitos para a solução dos problemas sociais.
A era da escassez de investimentos que atingiu as universidades públicas começa a ceder lugar para novos e audaciosos projetos, que parecem finalmente incluir como meta principal a inclusão daqueles que historicamente permaneceram à margem das universidades, realizando assim a tão esperada socialização do conhecimento. As incertezas e desconfianças geradas se amenizam e pouco a pouco as universidades começam a sentir seus efeitos.
No entanto, ainda nos perguntamos se a reforma universitária que se desenha é a reforma que desejamos. Qual papel está sendo efetivamente reservado às instituições de ensino superior? Como colocar em sintonia os cursos profissionalizantes, os ciclos curtos não profissionalizantes e a pós-graduação? Quais seriam os desdobramentos da continuidade da educação profissionalizante em cursos de pós-graduação? E a mais importante das perguntas: Qual é nossa capacidade de contribuir para uma sociedade melhor?
Em 2006 criamos o Programa de Pós-graduação em Psicologia Social, do Trabalho e das Organizações (PSTO). Podíamos nos perguntar por que não esperar por novos tempos e por sinais mais claros a respeito dos cenários do mundo do futuro? Mas a criação do PSTO tem se mostrado uma decisão acertada. Ainda que criado em um período marcado por incertezas e dificuldades, com poucas perspectivas que apontassem para um futuro mais alentador, os professores fundadores do PSTO acreditaram que poderiam contribuir com a busca de soluções dos problemas que o país enfrentava. Nós tínhamos uma experiência acumulada ao longo dos anos, no Programa de Pós-graduação em Psicologia da Universidade de Brasília (UnB), e avaliamos que tínhamos algo a contribuir. Os cenários acima descritos antes de nos desanimar constituíram-se em desafios, carregados de oportunidades que podiam se descortinar. Ainda que já existissem em 2006 mais de 50 programas de pós-graduação em Psicologia no Brasil, não havia sequer um curso, com mestrado e doutorado, que tivesse o foco nos aspectos privilegiados pelo PSTO, no momento de sua criação.
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